# O que é custo de produção e por que ele importa

Resposta direta

O **custo de produção** é tudo o que a indústria gasta para fabricar um produto e deixá-lo pronto para venda: matéria-prima, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação, como energia da linha, manutenção e depreciação das máquinas. Esse valor vai para o estoque e só vira resultado quando o produto é vendido.

## Para quem a planilha de preço não conversa com o estoque

Fechamento do mês: a planilha de preço diz que cada produto dá margem, e o estoque da contabilidade conta outra história. Se a cena parece com a sua fábrica, esta leitura é para o dono ou o gestor financeiro de indústria pequena ou média que forma preço pela planilha e ainda não fecha o estoque com a contabilidade.

Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real, tanto faz. A conta do **custo de produção** é a mesma nos três. Muda o quanto a Receita cobra dela.

No Lucro Real, ela pesa mais. O custo precisa sair de um sistema integrado e coordenado com a escrituração, com o estoque fechado todo mês, e quem pede isso é o art. 306 do [Regulamento do Imposto de Renda, o Decreto 9.580/2018](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/d9580.htm). Se a sua fábrica está nesse regime ou pensa em ir para ele, leia também [quando o Lucro Real compensa para a indústria](https://meccah.com.br/blog/lucro-real-para-industria).

Só quer um número rápido por produto? Comece por [quanto pesa só a matéria-prima e a mão de obra direta](https://meccah.com.br/blog/custo-primario-o-que-e), o chamado custo primário, e volte aqui para somar o resto.

## O prejuízo de vender com um custo que ninguém conferiu

O primeiro tropeço é misturar custo com despesa. Custo é o que leva o produto até a condição de venda: material, mão de obra da linha, energia da máquina, depreciação do equipamento. A comissão do vendedor, o frete de entrega e o salário do escritório são despesa e vão direto para o resultado. Se você joga despesa no custo, o estoque incha e o balanço mostra um lucro que ainda não existe. Quem traça essa linha são os itens 10 e 16 da [NBC TG 16 (R2)](https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16%28R2%29), a norma de estoques do CFC.

Depois vem o rateio feito "no olho". Energia, aluguel do galpão e manutenção divididos sem critério escrito fazem um produto subsidiar outro. A linha que parece dar lucro pode estar pagando a conta da que dá prejuízo.

No Lucro Real, a terceira falha sai cara. Sem custo integrado à contabilidade, o art. 308 do RIR/2018 manda arbitrar o estoque: produto acabado a 70% do maior preço de venda do período, e produto em processo a uma vez e meia o maior custo de matéria-prima, ou a 80% do valor do acabado. Se a sua margem é boa, esse valor tende a ficar acima do custo real, e o lucro tributável sobe junto.

## Como apurar o custo de produção em cinco passos

Na MECCAH, a ordem é esta:

1. Separe custo de despesa com uma pergunta só: o gasto traz o estoque à condição e ao local em que ele está? Se sim, é custo (NBC TG 16, itens 10, 15 e 16).
2. Classifique o custo em matéria-prima, mão de obra direta e custos indiretos, fixos e variáveis. A matéria-prima entra pelo custo de aquisição, sem o tributo que a empresa recupera como crédito (item 11 da norma e art. 301, § 3º, do RIR/2018).
3. Rateie o custo indireto fixo pela capacidade normal da fábrica, e o variável pelo uso real (item 13).
4. Escolha como o estoque sai. A norma aceita o primeiro que entra, primeiro que sai, ou o custo médio ponderado (item 25). Para o Imposto de Renda, valem o custo médio ou os preços mais recentes (RIR/2018, art. 307).
5. Todo mês, concilie a ficha de custo com a escrituração.

É no passo 3 que a conta escorrega, no mês em que a fábrica produz abaixo do normal, por férias coletivas ou máquina parada. Aí a parte ociosa do fixo não vai para o estoque e entra como despesa do período, como manda o item 13. Montar esse rateio com critério escrito é o centro da nossa [análise de custos para indústria](https://meccah.com.br/servicos/analise-de-custos), e costuma ser o ponto que mexe na margem por produto.

E a reforma tributária? Ela não muda essa conta. IBS e CBS que a empresa recupera como crédito ficam fora do custo, como o ICMS. Em 2026, o recolhimento é dispensado para quem cumpre as obrigações acessórias, pelo art. 348 da [Lei Complementar 214/2025](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp214compilado.htm), e o optante do Simples fica fora das alíquotas de teste. O que vem depois está em [o que a reforma muda no IPI e no crédito de insumo](https://meccah.com.br/blog/reforma-tributaria-industria).

## Um mês normal e um mês fraco na mesma fábrica de embalagens

Vamos a uma fábrica de embalagens, hipotética, com capacidade normal de 10.000 unidades por mês, comparando um mês cheio com um fraco, de 8.000. Para simplificar, a mão de obra direta acompanha o volume.

| Item | Mês normal (10.000 un.) | Mês fraco (8.000 un.) |
| --- | --- | --- |
| Matéria-prima consumida, sem ICMS e IPI recuperáveis | R$ 120.000 | R$ 96.000 |
| Mão de obra direta com encargos | R$ 45.000 | R$ 36.000 |
| Custo indireto variável (energia da linha) | R$ 12.000 | R$ 9.600 |
| Custo indireto fixo (depreciação, manutenção e supervisão) | R$ 23.000 | R$ 23.000 |
| Custo fixo alocado ao estoque pela capacidade normal | R$ 23.000 | R$ 18.400 |
| Custo fixo ocioso lançado como despesa | R$ 0 | R$ 4.600 |
| Custo de produção levado ao estoque | R$ 200.000 | R$ 160.000 |
| Custo unitário | R$ 20,00 | R$ 20,00 |
| Custo unitário se todo o fixo fosse para o produto | R$ 20,00 | R$ 20,58 |

O detalhe está no custo fixo. No mês fraco, a parte que vai para o estoque é 23.000 vezes 8.000, dividido por 10.000: R$ 18.400. Os R$ 4.600 que sobram vão para o resultado.

Assim, o custo unitário fica em R$ 20,00 nos dois meses. Se a fábrica jogasse todo o fixo no produto, cada unidade sairia a R$ 20,58, e o estoque ficaria superavaliado em R$ 4.600. Parece pouco por peça, até virar preço num orçamento fechado no mês fraco.

## O que precisa estar na mesa no dia do fechamento

Documentos para fechar o custo do mês

- Notas fiscais de compra de matéria-prima, embalagem e material secundário, com o imposto recuperável destacado
- Requisições ao almoxarifado ou ordens de produção com o consumo real de cada lote
- Folha de pagamento separada por centro de custo: produção, administração e vendas
- Contas de energia, aluguel do galpão e contratos de manutenção
- Relatório do imobilizado da fábrica com a depreciação do mês
- Apontamento de produção com quantidades, horas de máquina e a capacidade normal documentada
- Inventário do estoque no fechamento

Quem entrega o SPED Fiscal com a escrituração de produção ainda precisa bater essa ficha com [o registro de produção e consumo do Bloco K](https://meccah.com.br/blog/bloco-k-sped-fiscal-industria). E o imposto que você tira da matéria-prima só sai de verdade se a empresa tem direito a ele: veja [o crédito de ICMS sobre insumos e energia](https://meccah.com.br/blog/credito-icms-industria-insumos-energia-ativo).

Dica MECCAH

Ponha no papel a capacidade normal da fábrica, com data e critério: horas de máquina, turnos ou unidades. Sem esse papel, o rateio do custo fixo vira opinião na primeira auditoria.

## As armadilhas que inflam ou encolhem o custo da fábrica

- Estoque arbitrado no Lucro Real por falta de custo integrado (RIR/2018, art. 308), com lucro tributável maior.
- Preço abaixo do custo real, porque o custo indireto ficou fora da conta.
- Custo unitário inflado em mês de ociosidade, contra o item 13 da norma.
- Tributo recuperável dentro do custo. O efeito dobra: o custo sobe e o crédito se perde.
- Perda anormal lançada no custo. A norma tira o desperdício anormal (item 16), e o RIR/2018 só aceita as quebras e perdas razoáveis da fabricação, do transporte e do manuseio (art. 303, I).

A [Lei 6.404/1976](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm), no art. 183, II, manda avaliar matéria-prima, produto em fabricação e produto acabado pelo custo de aquisição ou de produção, com ajuste quando o valor de mercado for menor. Custo mal apurado vai parar no balanço.

Atenção

Pensa em mudar o critério de rateio no meio do ano? Registre antes a data, o critério novo e o efeito no estoque. Sem esse registro, a comparação entre os meses se quebra, e isso chama a atenção de auditor e de banco.

## Quando procurar apoio para fechar o custo do mês

Se pelo menos um destes sinais aparece na sua fábrica, o número merece uma segunda leitura:

- A empresa está no Lucro Real e o custo não é integrado à contabilidade.
- A margem por produto não fecha com o resultado contábil do mês.
- Mais de uma linha divide o mesmo custo indireto sem critério escrito.
- Teve mês de ociosidade relevante e o custo unitário subiu.
- Você entrega o Bloco K e o consumo por ordem não bate com o estoque.

Nesses casos, o **custo de produção** apurado com método vira base para o preço, para o estoque e para o imposto. A [contabilidade para indústrias da MECCAH](https://meccah.com.br/contabilidade-para-industrias) monta essa base junto com a fábrica e confere o **custo de produção** no fechamento de cada mês, desde que o apontamento e as notas cheguem no prazo. Quer comparar critérios de rateio antes de decidir? Leia sobre [os métodos de análise de custos](https://meccah.com.br/blog/analise-de-custos-entenda-o-que-e).

## Base legal

- [NBC TG 16 (R2), Estoques](https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16%28R2%29)
- [CPC 16 (R1): Estoques](https://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=47)
- [Decreto 9.580/2018 (RIR/2018)](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/d9580.htm)
- [Lei 6.404/1976](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm)
- [Lei Complementar 214/2025](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp214compilado.htm)

## Perguntas frequentes

O que é custo de produção e o que entra no cálculo?

Custo de produção é tudo o que a indústria gasta para fabricar o produto e deixá-lo pronto para venda. Entram a matéria-prima, a mão de obra direta e os custos indiretos de fabricação, como energia da linha, manutenção e depreciação das máquinas. Despesa de venda e de administração fica de fora.

Como calcular o custo de produção de um produto?

Some a matéria-prima consumida, a mão de obra direta e a parte dos custos indiretos rateada para aquele produto, e divida pela quantidade produzida no período. O custo fixo da fábrica é rateado pela capacidade normal de produção, e não pela produção de um mês fraco.

Qual é a fórmula do custo de produção na indústria?

A fórmula básica é custo de produção igual a matéria-prima mais mão de obra direta mais custos indiretos de fabricação. Os tributos que a empresa recupera como crédito, como o ICMS e o IPI destacados na compra, não entram no valor da matéria-prima.

Qual a diferença entre custo de produção e despesa?

Custo é o gasto necessário para fabricar e fica no estoque até a venda. Despesa mantém a empresa funcionando e vai direto para o resultado do mês. O salário do operador de máquina é custo, e o salário da equipe de vendas é despesa.

Como fica o custo de produção quando a fábrica produz menos que o normal?

O custo fixo de fabricação continua distribuído pela capacidade normal da fábrica. A parte que ficou ociosa vai para o resultado como despesa do período, em vez de encarecer cada unidade. Assim o custo unitário do estoque não sobe só porque a produção caiu.

Qual é a exigência de custo de produção para a indústria no Lucro Real?

No Lucro Real, o custo precisa sair de um sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração, com fechamento mensal do estoque. Sem esse sistema, o Regulamento do Imposto de Renda manda avaliar o estoque por arbitramento, com o produto acabado a 70% do maior preço de venda do período.

Custo de produção e custo primário são a mesma coisa?

Não. O custo primário soma só a matéria-prima e a mão de obra direta, e o custo de produção soma também os custos indiretos de fabricação. O primário é um indicador gerencial, e o custo de produção é o valor que vai para o estoque no balanço.

Autoria: Equipe Editorial MECCAH · Atualizado em 30/09/2026

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Fonte: https://meccah.com.br/blog/o-que-e-custo-de-producao
