# Custo primário: o que é, como calcular e exemplos

Resposta direta

O **custo primário** é a soma da matéria-prima consumida com a mão de obra direta usada para fabricar um produto. Ele deixa de fora os custos indiretos de fabricação, como energia, aluguel do galpão e depreciação. Serve como indicador gerencial de eficiência e de piso de preço, e não como valor do estoque no balanço.

## Para quem precisa de um número antes do rateio ficar pronto

Você recebe um pedido de 500 peças e o cliente quer o preço até sexta. O rateio dos custos indiretos da fábrica ainda não está redondo, e ninguém vai esperar por ele. É nessa hora que o **custo primário** ajuda: matéria-prima mais mão de obra direta, uma conta que sai com o que já está na sua mesa. A nota de compra, a requisição de material e a folha bastam.

Ele serve a quem toca uma indústria pequena ou média e quer um número por produto ou por lote antes de ter um rateio confiável. E serve a quem orça encomenda, porque responde a primeira pergunta de toda negociação: qual é o piso direto desse pedido, em material e em hora de gente.

Um aviso de vocabulário, para não confundir a busca: aqui o termo é de contabilidade de custos. Em economia, "custo primário do dinheiro" fala de juros e não tem relação com este texto.

## O problema começa quando o número gerencial vai para o balanço

O custo primário é uma conta de gestão. A norma de estoques do CFC, a [NBC TG 16 (R2)](https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16%28R2%29), nem usa esse nome. Para ela, o estoque carrega o custo de aquisição mais o custo de transformação, e o custo de transformação inclui a parte dos custos indiretos, fixos e variáveis (itens 10 e 12). Se a sua contabilidade leva ao balanço só matéria-prima e mão de obra direta, o estoque aparece menor do que é, e o resultado do período sai distorcido.

No preço, o estrago chega mais rápido. Um preço que cobre o primário e para aí deixa energia, aluguel, manutenção e depreciação sem ninguém pagando. A fábrica vende, fatura e, no fim do mês, "o dinheiro não aparece". A conta completa, com o rateio, está em [como o custo de produção soma os custos indiretos](https://meccah.com.br/blog/o-que-e-custo-de-producao).

E tem o imposto que fica escondido na matéria-prima. Se a sua empresa pode tomar crédito do ICMS da compra e deixa o imposto dentro do custo, o primário parece maior do que é. Quem manda tirar é o art. 301, § 3º, do [Regulamento do Imposto de Renda](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/d9580.htm): imposto recuperável por crédito na escrita fiscal não entra no custo de aquisição.

## Como calcular o custo primário do seu lote, passo a passo

Pegue um lote já fechado, de preferência um que você conhece bem, e siga esta ordem:

1. Levante a matéria-prima que de fato saiu para aquele lote, pela requisição ou pela ordem de produção. Use o custo de aquisição sem o tributo que a empresa recupera (NBC TG 16, item 11).
2. Levante a mão de obra direta com encargos, só de quem põe a mão no produto. A supervisão da fábrica entra no custo de produção, como diz o art. 302, II, do RIR/2018, mas fica fora do primário: é uma escolha gerencial, e nesta conta ela vai para os custos indiretos.
3. Some as duas parcelas. Custo primário é matéria-prima direta mais mão de obra direta.
4. Compare o resultado com o custo de transformação (mão de obra direta mais indiretos) e com o custo de produção (os três juntos), que é o que vai para o estoque.
5. Acompanhe dois índices por lote: quanto o primário pesa no custo de produção e quanto ele pesa no preço de venda.

O passo 5 é o seu alarme. Se o peso do primário no custo de produção sobe de um lote para outro e o preço do material não mudou, há duas hipóteses: a fábrica gastou mais material por unidade, ou gastou mais hora. Confira primeiro a requisição contra a ficha técnica e depois o apontamento. Se o peso cai, olhe para o outro lado, porque foram os indiretos que cresceram.

Essa é a regra geral, e ela vale para a maior parte das fábricas. A conta muda quando você trabalha por encomenda: a matéria-prima principal vem do cliente, e o seu primário vira quase só mão de obra e material secundário. Veja [como fica o custo de quem industrializa por encomenda](https://meccah.com.br/blog/industrializacao-por-encomenda-saiba-tudo).

O regime tributário também mexe no número. Na empresa do Simples Nacional, não há apropriação de crédito dos impostos que o regime abrange, pelo art. 23 da [Lei Complementar 123/2006](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm). Aí o ICMS da nota fica dentro da matéria-prima. Se você apura ICMS pelo regime normal, confira antes [quando o ICMS da matéria-prima vira crédito](https://meccah.com.br/blog/credito-icms-industria-insumos-energia-ativo).

## Um lote de 500 armários, com e sem crédito de ICMS

Imagine uma marcenaria que fecha um lote de 500 armários no mês. O caso é hipotético, e os números servem para mostrar a conta. A nota de chapas, ferragens e cola soma R$ 118.000, com R$ 18.000 de ICMS destacado. Na vida real, a alíquota depende da origem e do produto. A tabela põe lado a lado a empresa que recupera esse ICMS e a optante do Simples.

| Item | Recupera o ICMS | Optante do Simples |
| --- | --- | --- |
| Matéria-prima consumida no lote | R$ 100.000 | R$ 118.000 |
| Mão de obra direta com encargos | R$ 50.000 | R$ 50.000 |
| Custo primário (MP + MOD) | R$ 150.000 | R$ 168.000 |
| Custos indiretos (energia, depreciação, aluguel, supervisão) | R$ 30.000 | R$ 30.000 |
| Custo de transformação (MOD + indiretos) | R$ 80.000 | R$ 80.000 |
| Custo de produção (MP + MOD + indiretos) | R$ 180.000 | R$ 198.000 |
| Custo primário por armário | R$ 300 | R$ 336 |
| Custo de produção por armário | R$ 360 | R$ 396 |
| Peso do primário no custo de produção | 83,3% | 84,8% |

Na primeira coluna, o ICMS recuperável sai da matéria-prima: R$ 118.000 menos R$ 18.000 dá R$ 100.000. Com a mão de obra direta, o custo primário chega a R$ 150.000, ou R$ 300 por armário. Na segunda coluna, o imposto fica no custo, e o primário sobe para R$ 168.000, ou R$ 336 por armário. A diferença de uma coluna para a outra vem só do regime.

Um cuidado na leitura: a mão de obra direta aparece no primário e na transformação. Se você somar as duas linhas para achar o custo de produção, conta a folha duas vezes.

## Os papéis para separar antes de abrir a planilha

A conta só é tão boa quanto os registros que a alimentam. Antes de começar, junte isto:

O que separar antes de calcular

- Notas de compra de matéria-prima e embalagem, com o imposto destacado
- Requisições de material ou ordens de produção por lote
- Ficha técnica do produto com o consumo padrão por unidade
- Folha de pagamento por centro de custo, separando quem trabalha no produto
- Apontamento de horas por lote ou por ordem
- Inventário inicial e final do período
- Regime tributário da empresa, que define se o imposto da compra é crédito ou custo

Dica MECCAH

Todo mês, ponha a ficha técnica ao lado da requisição real. Se o consumo passou do padrão e ninguém sabe dizer por quê, comece a investigar pelo corte, pelo refugo e pelo apontamento de cada ordem.

## Os erros que fazem a fábrica perder margem sem perceber

Quase todo erro nessa conta nasce da mistura entre o número gerencial e o fiscal. Os que mais custam caro:

- Usar o primário como custo do estoque no balanço. O estoque fica subavaliado, contra os itens 10 e 12 da NBC TG 16.
- Fechar preço que cobre o primário e esquece os indiretos. A venda sai, e a margem fica pelo caminho.
- Deixar no custo o ICMS ou o IPI que a empresa poderia creditar, e perder o crédito na apuração.
- Lançar supervisão e manutenção como mão de obra direta. O primário parece pior do que é, e você procura desperdício onde ele não está.
- Comparar lotes com critérios diferentes de apontamento de horas. A diferença que aparece é da régua, e a fábrica pode estar igual.

Atenção

Mudou de regime tributário? Revise o tratamento do imposto na compra no mesmo mês. Quem sai do Simples e mantém o ICMS dentro do custo infla o primário e esconde um crédito que a empresa passou a ter.

## Quando vale chamar um especialista para olhar o número

Alguns sinais mostram que o número merece uma segunda leitura:

- O primário varia mais de 10% entre lotes iguais e ninguém explica por quê. O corte de 10% é critério de gestão, e não regra de norma.
- A ficha técnica não bate com o consumo das requisições.
- A empresa mudou de regime e ninguém revisou o imposto na compra.
- Você vai precificar uma encomenda nova e não tem histórico de mão de obra por hora.

Se algum deles aparece, o **custo primário** precisa conversar com o custo completo e com a contabilidade. A [contabilidade para indústrias da MECCAH](https://meccah.com.br/contabilidade-para-industrias) faz essa ponte com a fábrica. Se a dúvida é o preço de cada produto, a [análise de custos](https://meccah.com.br/servicos/analise-de-custos) cruza o **custo primário** com o rateio dos indiretos, desde que a requisição e o apontamento estejam em dia. E, para escolher o método de custeio, leia sobre [os métodos de análise de custos](https://meccah.com.br/blog/analise-de-custos-entenda-o-que-e).

## Base legal

- [NBC TG 16 (R2), Estoques](https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16%28R2%29)
- [CPC 16 (R1): Estoques](https://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=47)
- [Decreto 9.580/2018 (RIR/2018)](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/d9580.htm)
- [Lei Complementar 123/2006](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm)

## Perguntas frequentes

O que é custo primário na contabilidade de custos?

Custo primário é a soma da matéria-prima consumida com a mão de obra direta usada para fabricar o produto. Ele deixa de fora os custos indiretos de fabricação, como energia, aluguel do galpão e depreciação. Serve como indicador gerencial, e não como valor do estoque no balanço.

Qual é a fórmula do custo primário de um produto?

Custo primário é igual a matéria-prima direta mais mão de obra direta. A matéria-prima entra pelo custo de aquisição sem os impostos que a empresa recupera como crédito, e a mão de obra entra com os encargos de quem trabalha no produto.

Como calcular o custo primário de um produto na prática?

Some o valor da matéria-prima que saiu do estoque para o lote e a folha com encargos dos operadores daquele lote, e divida pela quantidade produzida. Num exemplo hipotético, um lote que consumiu R$ 100 mil de material e R$ 50 mil de mão de obra direta para 500 unidades tem custo primário de R$ 300 por unidade.

Qual a diferença entre custo primário e custo de transformação?

O custo primário soma matéria-prima e mão de obra direta. O custo de transformação soma mão de obra direta e custos indiretos de fabricação. A mão de obra direta aparece nos dois, e por isso eles não se somam para chegar ao custo de produção.

Custo primário é o mesmo que custo de produção?

Não. O custo de produção inclui também os custos indiretos de fabricação e é o valor que vai para o estoque no balanço. O custo primário é só a parte direta do gasto e serve para medir a eficiência de material e de mão de obra.

O ICMS da compra de matéria-prima entra no custo primário?

Entra só quando a empresa não pode recuperar o imposto como crédito. Quem apura ICMS com crédito tira o imposto do custo. O optante do Simples Nacional não se apropria de crédito dos impostos do regime, então o valor cheio da nota vira custo.

Autoria: Equipe Editorial MECCAH · Atualizado em 30/09/2026

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Fonte: https://meccah.com.br/blog/custo-primario-o-que-e
